quarta-feira, 3 de abril de 2019


ESCREVER PARA SER


Escrever é criar, recriar, é descobrir-se em cada palavra, é vivenciar os sentimentos e organizar os pensamentos. Escrever permite-nos estar a sós connosco, apreciando a nossa companhia……



terça-feira, 2 de abril de 2019


 Journée de la Francophonie

De acordo com dados do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros, o francês é a quinta Língua mais falada no mundo. Com cerca de 274 milhões de locutores, o francês é ainda segundo governo francês a segunda língua mais ensinada no mundo, a quarta língua da internet, a terceira língua do mundo dos negócios e a segunda língua da informação internacional nos meios de comunicação social.
Na impossibilidade de termos assinalado o Dia da Francofonia no dia 20 de  março, assinalamo-lo agora. Para isso, contámos com a presença da Dra Luísa Pacheco, uma das autoras de um dos manuais adotados, que veio dinamizar uma atividade lúdica de sensibilização para a escolha do francês no sétimo ano de escolaridade.  


quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia


Segundo a Diretora Geral da Unesco,Audrey Azoulay, "...a poesia, em todas as suas formas, é uma poderosa ferramenta de diálogo e de aproximação. Expressão íntima que abre portas aos outros, enriquece o diálogo...  reflete a universalidade da condição humana, o desejo de criatividade que atravessa todos os limites e fronteiras do tempo e do espaço, numa afirmação constante de que a humanidade é uma mesma e única família".
E como forma de homenagear a nossa patrona ...
























quarta-feira, 20 de março de 2019

PERCURSOS PELA CIDADE

Diferente foi este nosso percurso pela cidade do Porto, onde " ...há pouco ainda pelas suas quatro portas habituais só se podia entrar a tremer, com licensa paga, por um túnel ou revistado de cima a baixo - maneiras , como se vê, difíceis e reticentes -...." (M.Torga, 1944).

Da escola à Serra do Pilar, a pé e de metro, observando e ouvindo a Professora Marília Lobo,  lendo textos e registando  apreciações  alusivos à cidade ....




quinta-feira, 14 de março de 2019

SEMANA DA LEITURA NA EBIL


Programa

11 de março
Ensaio da peça A asa e a casa

13 de março
10 minutos a ler  na escola

14 de março
Momento musical com os 5º anos
Ensaio geral da peça A asa e a casa

15 de março
Apresentação da peça  A asa e a casa







Feito com Padlet




MOMENTO MUSICAL , 5º ANO


sexta-feira, 8 de março de 2019

Elas

“Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. 

Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram.

Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar À roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que agente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte da casa fechada. 

Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.”

Maria Velho da Costa. (1976). Cravo. Lisboa: Moraes Editores.
Imagem: Copyright - Alfredo Cunha Official Fujifilm X-Photographer, Vila Verde, 2001

quinta-feira, 7 de março de 2019

A palavra e o mundo - O enigma da chegada (II)

"Eu via uma floresta. Mas não era realmente uma floresta; era a penas o velho pomar nas traseiras do casarão em cuja propriedade se encontrava a minha casa. Aquilo que via, via-o muito claramente. Mas não sabia para que estava a olhar. Não tinha nada em que pudesse encaixar aquilo que via. Sentia-me ainda uma espécie de limbo." (1)

V. S. Naipul tem uma obra longa e premiada, com destaque para o Booker Prize de 1971 e o Prémio Nobel da Literatura em 2001. Natural de Trindade, nas Caraíbas descende de uma família de origem indiana, cujos antepassados vieram da Índia para as Antilhas no processo de globalização económica que foi o Império Inglês no século XIX. V. S. Naipul concilia uma ironia e uma observação britânica com um espírito de análise e um minimalismo de vida ligado ao hinduísmo e à sua memória.

Partiu jovem para Inglaterra para estudar Literatura em Oxford e a sua vida de escritor   mistura-se, a partir de certo momento com a do homem. Processo e descoberta difícil, enquanto o escritor não compreendia que homem o habitava, nessa relação de culturas que viveu de forma intensa. O enigma da chegada, livro de 2008 é um testemunho deslumbrante desse percurso de vida e do nascimento do escritor e dos temas que o fundiram com o homem, o adolescente e criança em Trindade e o adulto em Oxford.

O enigma da chegada descreve-nos a evolução de um escritor, os locais por onde viveu, com destaque para o lugar que o fez renascer. Justamente um vale perto de Stonehenge, onde habitou uma casa que integrava uma grande propriedade rural, o que nos permite conhecer uma região, a sua ocupação humana no tempo. Espaço pertencente à aristocracia rural, nela vemos desfilar as personagens que lá trabalhavam, as suas motivações e compreendemos a atmosfera que as envolvia, o seu trabalho, a sua visão do mundo, a sua intimidade com as coisas. A casa habitada pelo autor e as experiências vividas nessa propriedade deram-lhe a possibilidade de encontrar o sentido, o significado para a efemeridade da vida humana.

O enigma da chegada faz a descrição precisa da paisagem, como o autor a via nos seus passeios e permitiu-lhe abordar um microcosmo, a sua relação com a sociedade e como o tempo vai desfazendo sentidos antigos. O enigma da chegada é um livro que pertence a uma categoria muito restrita. Aquela que tem a capacidade de dialogar com o leitor, como se falasse com ele directamente. O enigma da chegada é uma longa e aprazível conversa, onde se revela uma grande sensibilidade na observação. Os passeios de V. S. Naipul dão-nos uma observação muito cuidada da Natureza, da sua evolução no tempo. "O jardim de Jack" e os trabalhadores da mansão dão oportunidades de reflexão ao autor sobre a vida, as escolhas que se fazem e delas extrai sentidos que parecendo particulares são absolutos sobre a própria existência.

O passado, os seus fragmentos sem memórias, os vestígios, relíquias de outras vidas, de outros sonhos procuram dar um significado para a ideia de ruína e degradação. Sendo um livro auto-biográfico é muito, uma obra literária sobre o Homem no Tempo. Uma geografia antes dos homens, o trabalho humano como uma declaração poética, um sentido vivo da vida ou só mais uma ruína, são questões colocadas. Como lidar com essa mutação da vida, dos seus objectos no tempo, como compreender a degradação contínua, a mudança constante em nós, no nosso tempo?

A experiência do que vivemos e a linguagem, como instrumentos de uma memória e de uma exaltação são tentativas para obter uma resposta. E ainda a consciência final de que sobre a melancolia e as nossas dores é importante compreender "que a vida, o ser humano, era o mistério, a verdadeira religião dos homens, a dor e a glória" (p.438). E compreendê-lo com assombro pela vida e pelos homens. E aceitar que a vida é sempre o recomeço de nós próprios. E verificar mais uma vez que a Literatura pode ser em alguns circunstâncias um instrumento de contextos, de significados poéticos para uma sobrevivência. A da memória .

(1) V. S. Naipul. (2013). O enigma da chegada. Lisboa: Quetzal.

A palavra e o mundo - O enigma da chegada (I)

Jack vivia no meio de ruínas, no meio de coisas que já não serviam para nada e tinham sido substituídas por outras. Porém, esta visão de Jack e do ambiente que o rodeava só me surgiu mais tarde, e impôs-se com mais força agora, à medida que vou escrevendo. Não foi a impressão com que fiquei da primeira vez que, num dos meus passeios, passei por lá.

Essa ideia de ruína e degradação, essa sensação de deslocamento, era algo que eu experimentava em mim mesmo, algo que transportava em mim: um homem de meia-idade, originário de um outro hemisfério, com um passado completamente diverso, procurava repouso numa casa de uma propriedade meio abandonada, uma propriedade cheia de recordações de um passado eduardiano, com escassas ligações ao presente. (...)

No entanto, quanto a Jack, eu via-o como um elemento mais na paisagem. A sua vida parecia-me autêntica, enraizada, adaptada: a vida de um homem que encaixava perfeitamente na paisagem. Via-o como um vestígio do passado (cuja desagregação era anunciada pela minha própria presença).

Quando dei aquele primeiro passeio e me limitei a ver a paisagem, tomando aquilo que via como simples elementos desse mesmo passeio, coisas que podíamos encontrar no campo em redor de Salisbury, coisas imemoriais, apropriadas, não me ocorreu que Jack viva no meio do lixo, no meio das ruínas que tinham quase um século; que o passado que envolvia a sua casa podia não ser o seu passado; que podia ter sido, num dado momento, um recém-chagado ao vale; que o seu estilo de vida podia ter sido uma opção, um ato consciente; que, do pequeno terreno que lhe coubera em sorte juntamente com a casinha de trabalhador ruaral, Jack criara uma casa especial para si mesmo, um jardim onde (embora rodeado de ruínas, recordações de vidas desaparecidas), ele se sentia mais do que feliz por levar a vida que levava e onde, como numa versão de um Livro de Horas, ele celebrava as estaçoes. (....)

E, no entanto, ainda demorei algum tempo, à medida que ia ganhando consciência das estações, a descobrir o jardim. Até então, o jardim estivera simplesmente ali, qualquer coisa no caminho, um ponto de referência, nada que merecesse grande atenção da minha parte. E, no entanto, eu amava aquela paisagem, as árvores, as flores, as nuvens, e era sensível às mudanças de luz e temperatura.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


Neste nosso primeiro  Percurso pela Cidade, visitamos a Câmara Municipal do Porto. Fomos recebidos pela Dra. Lurdes Ribas, que nos falou de história , mas que também nos contou histórias  acerca do icónico  edifício.
Publicamos as imagens que estiveram na origem do seu discurso.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019


DIA DE S. VALENTIM


Segundo o estudo recentemente divulgado da investigadora Madalena Oliveira, da Universidade Fernando Pessoa, “Transmissão intergeracional da violência: o contexto familiar, as relações de intimidade e as crenças dos jovens”, com base num inquérito realizado nos anos letivos de 2008 a 2010 e que envolveu 1476 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos de escolas de seis distritos do norte e centro do país, cerca de 25% dos jovens participantes, que mantinham àquela data um relacionamento íntimo, admitiu ter adotado um comportamento violento, pelo menos uma vez, com o seu parceiro/a, enquanto cerca de 22,5% admitiu ter sido vítima de agressão do parceiro/a.

Assim, no âmbito da comemoração do Dia de S. Valentim, a nossa biblioteca recebeu a visita de dois agentes da PSP, que vieram dinamizar uma ação subordinada ao tema  Quem te ama, não te agride!


Foram identificados comportamentos  incorretos, foram referidos os direitos das vítimas , assim como as diversas organizações às quais se pode recorrer em caso de necessidade. No entanto, a mensagem fundamental apelou à consciencialização da importância da denúncia e à desmistificação da reserva da vida privada no que a estes crimes diz respeito. 

De salientar a atenção e participação ordenada dos nossos alunos, o que permitiu concluir que o tema não só foi muito pertinente, como dele terão decorrido aprendizagens que, desejamos, surtam efeitos na desejável mudança de mentalidades. 




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019



DIA DA LEITURA EM VOZ ALTA



Com o objetivo de implemetar o Referencial Aprender com a 

Biblioteca Escolar e promover a leitura expressiva,  

Professora Isabel Barbosa celebrou o Dia da Leitura em 

Voz Alta. 

Com base no livro O 10 magnífico, de Anna Cerasoli,  foi 

analisado e lido o primeiro capítulo sobre a história dos 

números naturais. 



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A palavra e o mundo - Carta ao futuro (II)


O que era o País e o mundo em 1957? À exceção de Sophia e de Jorge de Sena, o País era na década seguinte ao fim da 2ª Grande Guerra a manipulação cinzenta de uma fantasia de crianças. Ficaria a sê-lo por muitas outras ainda. O Mundo após o terror alemão conduzido pelos nazis emergia no que alguns consideravam o homem novo, os amanhãs que cantariam. Outros se encantariam por essa infantilidade de nenhuma substância.

Em fins da década de cinquenta o País e o mundo eram a mais profunda sonolência, uma anestesia de vontade por algo que significasse decência e humanidade. É desse ano que Vergílio Ferreira escreve um livro que devia figurar nas estantes de qualquer pessoa com intenções de compreender a vida e ter nela um papel substantivo. Justamente, Carta ao futuro.

Vergílio tornou-se mais conhecido. Um pouco mais. Não muito mais. Pois ainda é possível ouvir doutores da formalidade invocar a sabedoria de sebentas, onde palavras comuns desenham gramáticas de compreensão pouco empenhadas nesse sentido que  foi a sua escrita. A da justamente invocar a nossa verdade emotiva, aquela que nos faz apreender o mundo, por cima de códigos ideológicos, ou de confissões do nada. Vale a pena lê-lo. Ele foi um percursor da substância que mora em nós, um leitor da brevidade e da magia de estar vivo.

Muitas vezes desdobramos palavras de quem gostamos ou que nos dizem algo pela sua relevância curricular, pela sua ligação a um património cultural e civilizacional. Com Vergílio Ferreira arendemos palavras, ideias, formas de pensar a vida e a existência. Aprendemos formas de pensar possibilidades de criar no real a nossa própria forma de sermos humanos. Vergílio é um homem essencial não só da cultura portuguesa e europeia do século XX , mas de muitos mais.

Com Vergílio Ferreira aprendemos a difícil ética de sermos humanos, compreendemos a necessidade absoluta de olhar o mundo através de um sentimento estético, que apenas a arte nos permite obter. Com Vergílio percebemos que a leitura do mundo faz-se pela nossa emotividade, a quilo que nos faz ter sentido, "a verdade humana" que nos orienta. É no nosso diálogo com uma dimensão estética da vida que o mais essencial de nós se afirma. É uma grande lição dada quando muitos gritavam revoluções e impérios universais. Obrigado amigo!

A palavra e o mundo - Carta ao futuro (I)


O sentimento estético da vida não é exclusivo das obras de arte. Nós o sabemos das horas silenciosas em que a sua face se adivinha e não há ainda uma obra de arte a traduzi-la. a integrá-la numa manifestação. Assim nos não é possível imaginar um mundo sem arte, por mais que admitamos o esgotamento das formas que herdámos, por mais que admitamos que a arte terá de ser inventada de novo através de formas que mal ainda vislumbramos. 
Mas ainda que fosse possível imaginar um mundo sem arte, sem obras que o exprimissem, jamais seria imaginável um mundo estendido fora do sentimento estético, fora da qualidade emotiva que no-lo explica à nossa relação humana com ele.
Porque é dentro da emotividade que o mundo tem sentido, e a verdade humana, e a orientação fundamental de tudo o que nos orienta. Porque o sentimento estético é uma comunicação original com a essencialidade da vida - como esta que se abre na voz obscura da chuva que dura ainda.
Eu a ouço, eu a ouço, desde os confins da memória, balançando na rua a solidão dos espaços. Eu a escuto na vidraça como um apelo clandestino para um encontro de outrora. Que a água de pureza que te trespasse, e seja tu, rememore a água obscura do nosso horizonte - e a vida se continuará, una, indestrutível, igual e sem margens, como é igual na sua total presença, a vertigem da noite e a iluminação do dia.


Saúde, amigo.


 Vergílio Ferreira. (2010). Carta ao Futuro. Lisboa; Quetzal, pgs. 101 e 102


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Memória de Miguel Torga

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses
De nehum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez te reconheças.

Miguel Torga, "Sísifo", in Diário XIII
Imagem: entre as serranias do parque natural de Montesinho

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019


HORA DO CONTO 


A nossa escola recebeu a visita de  Ana Esteves, que nos veio contar a história do Cavaleiro  
da Dinamarca

Para além do seu trabalho como contadora de histórias em Bibliotecas Escolares trabalha ainda num projeto  de leitura intitulado “Histórias Encenadas” no Centro Multimeios de Espinho. Atualmente integra também o projeto “Histórias da Vida em Dó Maior”, em parceira com a tocadora e cantadora de histórias Lúcia Barbosa, um projeto que visa  incentivar a leitura estimulando ao mesmo tempo a musicalidade das crianças.







terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Luther King - A memória da Humanidade


A "civilização" americana em muitos dos seus fundamentos deu-nos figuras universais, que modelaram a forma mais sublime da consciência humana. Martin Luther King foi um dos mais elevados exemplos de humanidade, feito de determinação, coragem e visão de um mundo mais justo. 

Luther King, nasceu em Atlanta, na Geórgia, formou-se no Morehouse College, tendo sido ordenado pastor da Igreja Baptista aos dezoito anos. Estudou na Universidade de Boston, onde foi influenciado pelas ideias pacifistas de outro imenso ser humano, Mohandas Gandhi. Martin Luther King conduziu a sua vida pela defesa dos direitos cívicos dos americanos, em especial dos que eram profundamente discriminados. Procurou defender com energia e coragem os direitos das minorias, em especial os negros que eram vítimas de segregação racial. Lutou por estes ideais através de protestos e marchas pacíficas e discursos de grande determinação e inspiração.

Participou na fundação do CLCS (Conferência de Liderança Cristã do Sul) que organizou os protestos não-violentos, especialmente contra a situação de segregação racial dos negros nos Estados do Sul. Situação que limitava o direito de voto, discriminava as pessoas nos seus direitos mais básicos apenas pela cor da sua pele. As manifestações de protesto em Alabany em 1961 e 1962, em Birmingham em 1963, em St Augustine em 1964 e em Selma reafirmaram o seu protesto e a luta pelos direitos cívicos na América.

Em 1964, recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento da sua luta não violenta contra os preconceitos raciais. Em 1965 conseguiu concretizar a marcha entre o Alabama e Selma e a partir de 1968, ano em que foi assassinado em Memphis, organizou uma campanha de luta contra a pobreza (A Campanha dos Pobres). A partir de 1986, os Estados Unidos celebram na 3ª segunda-feira do mês de Janeiro, um feriado designado - Dia de Martin Luther King.

Martin Luther King representa a consciência da humanidade pela defesa da dignidade humana e dos valores que devem organizar a sociedade - a igualdade de todos perante a Lei. As suas palavras e a sua luta são uma inspiração para continuar a procurar individualmente melhorar a construção de uma Humanidade inacabada e que esteja cada vez mais próxima do valor que cada um tem.

Mais do que estas palavras, o vídeo colocado no post anterior, com o seu inspirado discurso, «I Have a Dream», realizado em 1963 demonstra a grandeza deste homem, que abriu um caminho de esperança. Em momentos da nossa própria contemporaneidade, algumas das suas ideias encaminharam linhas de esperança para uma sociedade mais humana. "Yes we can" do presidente Obama foi beber muito a esta ideia de King, de que sim, é possível com determinação mudar a ferrugem instalada pela ignorância. Nos tempos sombrios que se vivem o seu exemplo deveria inspirar-nos a lutar por tudo aquilo que não contempla em si a dignidade humana.

Luther King - os gestos e as palavras da coragem


"I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident; thal all men are created equal".

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.


I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today". (...)


                                                    Martin Luther King, I Have a Dream

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Do amor e do esquecimento


«O amor ao próximo é o maior prazer do ser humano.» (1)

Somos aparentemente, no imenso universo, a única espécie a habitar esta poeira cósmica de matéria e sonhos. Sem compreendermos os mecanismos do seu funcionamento, oscilamos entre um sentimento de abandono e de esperança, neste cosmos que flutua no espaço. Seria pois nas relações humanas, nas mais diversas situações, que a humanidade poderia encontrar um sentido para a sua existência. Justifica-se que valores como a amabilidade e a generosidade estejam no centro das relações humanas. 

Não sendo o que acontece, que justificação e que preço para a sociedade humana? Adam Philips e Barbara Taylor (2) defendem que o amor ao próximo é hoje «o nosso prazer proibido». Porque temos esta incapacidade de nos identificar com os outros, com as suas dificuldades, angústias, receios e sucessos? Tendo o Ocidente dois mil anos de cristianismo, onde o amor ao próximo organizou o pensamento para tantos milhões, porque é que assistimos à valorização do individual como única forma de sobreviver num mundo dominado pelo egocentrismo, onde tantos parecem estar em guerra por qualquer coisa que não entendem? Afinal demonstrar generosidade publicamente ainda é considerado um ato de inferioridade psicológica ou de sentimentalismo de valor duvidoso. 

A amabilidade não é ainda vista pela sociedade como algo natural. Com graves limitações à afetividade, a sociedade contemporânea elegeu o individualismo e a sua independência singular como critérios de sucesso. A solidariedade como fator de existência humana é ainda vista como uma fraqueza. Quantos projetos de grandes empresas estão ligados a causas de igualdade social? 

Nos últimos anos, as ideias de um liberalismo feroz tem remetido a afetividade natural do homem à esfera do privado. No espaço público, os valores dominantes são outros: competição, domínio da estatística, realidade virtual onde se compete sem valores espirituais, onde a função vale mais que a pessoa. Nesta época, vale pois muito considerar a importância da fraternidade e da solidariedade que o Natal nos devolve como mensagem essencial para estes tempos.

(1) Marco Aurélio, imperador Romano, in Courrier Internacional, março de 2009. 
(2) Adams Philips, Barbara Taylor, The Guardian, 03/01/2016

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018



SESSÃO DE LEITURA


De modo a promover a leitura num contexto distinto do da sala de aula, a  Professora Ester Salgueiro respondeu ao repto da Biblioteca e convidou  a turma B, do 9º ano, a  apresentar as suas leituras  à comunidade. 
Ao princípo, os alunos manifestaram alguma falta de à vontade, mas rapidamente perceberam os objetivos da atividade e aderiram com empenhamento. 






Declaração Universal dos Direitos Humanos


The Declaration of The Human Rights