terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Luther King - os gestos e as palavras da coragem


"I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident; thal all men are created equal".

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.


I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today". (...)


                                                    Martin Luther King, I Have a Dream

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Do amor e do esquecimento


«O amor ao próximo é o maior prazer do ser humano.» (1)

Somos aparentemente, no imenso universo, a única espécie a habitar esta poeira cósmica de matéria e sonhos. Sem compreendermos os mecanismos do seu funcionamento, oscilamos entre um sentimento de abandono e de esperança, neste cosmos que flutua no espaço. Seria pois nas relações humanas, nas mais diversas situações, que a humanidade poderia encontrar um sentido para a sua existência. Justifica-se que valores como a amabilidade e a generosidade estejam no centro das relações humanas. 

Não sendo o que acontece, que justificação e que preço para a sociedade humana? Adam Philips e Barbara Taylor (2) defendem que o amor ao próximo é hoje «o nosso prazer proibido». Porque temos esta incapacidade de nos identificar com os outros, com as suas dificuldades, angústias, receios e sucessos? Tendo o Ocidente dois mil anos de cristianismo, onde o amor ao próximo organizou o pensamento para tantos milhões, porque é que assistimos à valorização do individual como única forma de sobreviver num mundo dominado pelo egocentrismo, onde tantos parecem estar em guerra por qualquer coisa que não entendem? Afinal demonstrar generosidade publicamente ainda é considerado um ato de inferioridade psicológica ou de sentimentalismo de valor duvidoso. 

A amabilidade não é ainda vista pela sociedade como algo natural. Com graves limitações à afetividade, a sociedade contemporânea elegeu o individualismo e a sua independência singular como critérios de sucesso. A solidariedade como fator de existência humana é ainda vista como uma fraqueza. Quantos projetos de grandes empresas estão ligados a causas de igualdade social? 

Nos últimos anos, as ideias de um liberalismo feroz tem remetido a afetividade natural do homem à esfera do privado. No espaço público, os valores dominantes são outros: competição, domínio da estatística, realidade virtual onde se compete sem valores espirituais, onde a função vale mais que a pessoa. Nesta época, vale pois muito considerar a importância da fraternidade e da solidariedade que o Natal nos devolve como mensagem essencial para estes tempos.

(1) Marco Aurélio, imperador Romano, in Courrier Internacional, março de 2009. 
(2) Adams Philips, Barbara Taylor, The Guardian, 03/01/2016

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018



SESSÃO DE LEITURA


De modo a promover a leitura num contexto distinto do da sala de aula, a  Professora Ester Salgueiro respondeu ao repto da Biblioteca e convidou  a turma B, do 9º ano, a  apresentar as suas leituras  à comunidade. 
Ao princípo, os alunos manifestaram alguma falta de à vontade, mas rapidamente perceberam os objetivos da atividade e aderiram com empenhamento. 






Declaração Universal dos Direitos Humanos


The Declaration of The Human Rights

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A vida humana (II)



Pensar o Humano é verificar aquilo que o pode definir. As hipóteses são diversas. O que esse ser constrói, o que fabrica, o que pode sentir, o que compreende no Universo onde existe são formas de o definir, ou será apenas necessário identificá-lo numa categoria, numa substância material do tempo? 

A vida humana define-se por uma biologia que desconhece os valores da nossa imaginação, ou contempla-se para esse prazer essencial que conduz-se mais para a ela própria? E assim quando falamos em liberdade não estaremos a falar evidentemente de procura de felicidade? Para esta questão longa e difícil muitos recursos se podem encontrar. A arte, como construção temporal do homem, a Filosofia como interrogação permanente da palavra, do nome das coisas. Façamos essa viagem para colocar perguntas, raras vezes encontrar respostas definitivas.

Por muito acreditou-se, que o ser humano que era chamado Homo Sapiens, isto é, o homem racional, e o Homo Faber, o homem que fabrica ferramentas. Bem... de fato, somos Homo Faber. Todos o somos, pelas canetas que utilizamos, pelos computadores que utilizamos. 
Homo Sapiens, a racionalidade, é excelente. Só que também sabemos que a racionalidade apenas abstrata deixa ser racional. Sabemos que não há pensamento racional sem emoção. Até mesmo o matemático, tem a paixão da Matemática. Ou seja, não podemos pensar apenas pela razão fria. Realmente os computadores estão apenas no domínio da razão fria. Não tem sentimentos, nem vida. Se os deixássemos governar a Humanidade estaríamos em grande perigo. 

Somos, pois indivíduos capazes de emoções e de loucuras também. E, no fundo a dificuldade da vida é realmente navegar. Numa viagem, de nunca perder a racionalidade, mas também, de nunca perder o sentimento e sobretudo, o amor.
É verdade que ouvimos muitas vezes que somos homens de economia. Naturalmente, pois temos interesses económicos, mas somos Homo Ludens também. Gostamos do jogo. Não só as crianças, mas também os adultos. Há muitos exemplos disso. O jogo faz parte da vida. Do mesmo modo, a prosa. 

De facto, ela faz parte da vida porque são as coisas necessárias e obrigatórias que fazemos, mesmo as que não nos interessam. Mas o importante, já o tenho dito, a prosa serve só para sobreviver. Mas a poesia é viver, é o próprio desabrochar. É a comunicação, é a comunhão. Se tivermos essa definição aberta do que significa o que é um ser humano, então teremos em conta toda a dimensão humana. Mas se ela for fechada e económica, iremos perdê-la."

Edgar Morin, "Roda Viva". 2000 - Entrevistas dadas no Brasil
Imagem - © Carla DLM

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

No episódio de um rosto - na memória de Herberto Helder

Levanto à vista
o que foi a terra magnífica
e as estações mais bêbedas
E estou tão leve
porque não tenho nenhum segredo
e tão oculto
porque daqui a nada 
já posso dizer tudo.

Daqui a uma pouca ciência
saberei pensar que daqui a um pouco depois
estarei morto
e só de pensar
já nem respiro
já quase
em nada toco
Já vejo no fundo das mãos
daquilo que fica escrito
Que escrevi coisa nenhuma do mundo
até ao esquecimento e movendo-me com as unhas
movo-me nos nomes inúmeros
para dizer que mal nasci
logo me deram por morto.

E não fui tido nem havido
na razão do episódio de um rosto
ter passado por um espelho e ter desaparecido.
Portanto não me venha ninguém falar de nada
sei bastante do que sabem todos
Vejo a água a mover-se contra si mesma
tão marítima e acho até que é bonito
cada qual morre do que alcança e não alcança
e ninguém compreende
a água que toca os dedos que escreveram até às pontas
e passa a água fácil
sem retorno
porque nada tem retorno e tudo é dificílimo
não só o máximo, mas também o mínimo. 

Herberto Helder, "7º poema", in Servidões

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A palavra e o mundo - Silêncio na era do ruído (II)


O silêncio que vive na rocha
Na parte interior de cada folha
E no espaço azul entre as pedras.

Temos como civilização uma clara dificuldade em suspender o barulho, em permanecer em silêncio num determinado espaço que habitamos. Pascal disse-o em primeiro lugar quando enunciou no século XVII, uma verdade civilizacional, nessa expressão, "todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade de o homem ficar tranquilamente sozinho no seu quarto". A consequência desta incapacidade é a construção de meios, objectivos, formas que captem a nossa atenção. Isso desloca-nos para longe de nós, para o nosso exterior e é uma das razões por que tantos temem esse espaço do sagrado, o silêncio. Não aquele que nos rodeia, mas aquele  em que estamos fundados, o interior.

O silêncio pode ter em si uma construção visível, algo tão substantivo, "como um oceano, ou uma interminável extensão de neve", e essa "majestade", uma companhia viva ou a atmosfera de um temor. É na sua companhia que podemos aprender muito sobre nós próprios. Para o construir em nós o primeiro passo passa por falar com um dos seus elementos primordiais, a natureza. Se há espaços que melhor conduzem esta sinfonia de encanto primordial, ele pode também manifestar-se nos espaços cívicos de cada um. Isso significa conduzir um processo mental, uma escolha, a realização de actividades manuais, um regresso a algo básico e fundador da essência da vida.

Estas escolhas e estas experiências, como o regresso à natureza e a prática de actividades no interior de uma procura conduz o cérebro a desenvolver um processo, implica um esforço pela concretização de uma ideia, de uma experiência. O movimento no interior dessas escolhas e desses espaços conduz a mente, implica um movimento do corpo, constrói uma possibilidade de encontrar o silêncio em nós. Esse é o silêncio tangível, criado por nós no interior das coisas. Essa construção dar-nos-á não só uma atmosfera interior, como um espaço que nos acompanha.

Erling Kagge, homem de grandes viagens aos espaços mais distantes e mais inabitados do planeta, justamente os pólos faz parte de um tipo de aventureiros que viram no movimento uma das formas de contornar a melancolia das sociedades. Em Silêncio na era do ruído, Erling Kagge reflecte sobre o silêncio, o seu valor para cada um de nós, o espaço de vitalidade que ele pode fornecer para essa dimensão de verdade que cada um procura. No fundo na construção do silêncio somos nós os mestres desse templo à beira de cada desafio colocado. Um pequeno livro. Um grande livro, desses muito raros que falam com o leitor, como se em cada um de nós seja possível chegar a um pólo de extremidade e nele renascer com um sentido próprio, o do silêncio. 

Silêncio na Era do Ruído: Erling Kagge; tradu. Miguel de Castro Henriques. 1ª ed. – Lisboa: Quetzal, 2017. – 156, [3] p. ; 20 cm. – ISBN 978-989-722-385-3