segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A palavra e o mundo - Silêncio na era do ruído (I)


   Será possível estar e não estar ao mesmo tempo presente no mundo? Acho que sim.
  Para mim, os breves momentos em que me deixo estar no horizonte ou me encanto com tudo o que me rodeia, ou quando não faço mais nada senão observar uma rocha coberta de musgo verde e me sinto incapaz de desviar o olhar dela ou, então, quando simplesmente tenho uma criança ao colo, são os mais preciosos.
   O tempo, de súbito, pára e sinto-me interiormente presente e, ao mesmo tempo, completamente distante. De súbito, um breve momento pode parecer uma eternidade.
  É como se o momento e a eternidade se tornassem um só. Naturalmente, aprendi que são coisas opostas. Cada um deles está num dos pratos da balança. Mas, por vezes, tal como o poeta William Blake, sinto-me incapaz de distinguir entre a eternidade e aquela breve partícula de tempo:



     “Para ver um Mundo num Grão de Areia
      E um Céu numa Flor Silvestre,
      Segura o Infinito na palma da tua mão
      E a Eternidade numa só hora.”

    Vivo para sentir momentos como este. Sinto-me como um pescador de pérolas que, ao abrir uma concha, de repente, encontra a pérola perfeita.
     A eternidade, o momento ou a experiência de ter encontrado a pérola “não existe de todo no tempo”, escreve o filósofo Søren Kierkegaard. De modo geral, o tempo é uma “Sucessão interminável” em que a um segundo segue outro. Porém, de repente, a experiência do tempo altera-se, dado que a sucessão, ao fim e ao acabo, não é interminável. Um segundo não leva ao seguinte. O tempo fica suspenso e o presente deixa de estar em oposição tanto em relação ao passado como ao futuro nessa “Sucessão anulada”, como lhe chamava Kierkegaard. Experimenta-se então a plenitude do tempo no momento.

     O prazer que sinto ao ler, sentir e pensar nesses momentos, reside no faco de eles reflectirem as experiências que tive na natureza, na cama, e quando leio, experiências que eu considerava muito mais raras quando era mais novo. No entanto, ao fim e ao cabo, não eram assim tão invulgares. O mundo fica suspenso durante um momento, e a paz e o silêncio interiores prevalecem. Trata-se de sentimentos que creio que todos temos em graus diferentes e de vários modos, e que julgo que vale a pena alimentar. De vez em quando, trago da montanha uma pedra coberta de musgo e ponho-a na bancada da cozinha ou deixo-a a na sala, para me recordar dessas experiências. E tenho-as oferecido, várias destas pedras, dotadas de uma beleza particular.

Silêncio na Era do Ruído: Erling Kagge; tradu. Miguel de Castro Henriques. 1ª ed. – Lisboa: Quetzal, 2017. – 156, [3] p. ; 20 cm. – ISBN 978-989-722-385-3

A biblioteca convida a comunidade escolar para assistir a uma palestra  sobre as ameaças aos oceanos. 



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O HALLOWEEN NA BIBLIOTECA


O 7º C, sob a orientação da professora Anabela Barbosa, produziu e apresentou a peça de teatro Um conto de Halloween...assustador...





Peça de teatro





Testemunho dos alunos que participaram na peça de teatro



Feito com Padlet

terça-feira, 23 de outubro de 2018

HORA DO CONTO NA BIBLIOTECA

No âmbito da comemoração do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, convidamos  a comunidade escolar a assistir à peça de teatro "Um conto de Halloween assustador". 
Dia 31 de Outubro by on Scribd

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Com as  palavras de  Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização, desejamos a todos um bom ano letivo. 

“Quando aprenderes a ler, serás livre para sempre”, escreveu Frederick Douglass, no século XIX, um escravo negro americano liberto, campeão da causa abolicionista e autor de várias obras. Este apelo à emancipação através da leitura e, de um modo mais geral, do domínio dos conhecimentos fundamentais - ler, escrever e contar - tem um alcance universal.

A alfabetização é o primeiro passo para a liberdade, para a libertação das condicionantes sociais e económicas. É o pré-requisito para o desenvolvimento, individual e coletivo. Reduz a pobreza e as desigualdades, cria riqueza e ajuda a erradicar problemas de nutrição e de saúde pública.

Desde a época de Frederick Douglass, e particularmente nas últimas décadas, foram alcançados progressos consideráveis em todas as regiões do mundo, e milhões de homens e mulheres foram resgatados da ignorância e da dependência através de um amplo movimento de alfabetização e de democratização do acesso à educação. No entanto, a perspetiva de um mundo em que cada indivíduo seja detentor de conhecimentos fundamentais permanece um ideal.

Hoje em dia, em todo o mundo, mais de 360 milhões de crianças e adolescentes não estão matriculados na escola; seis em cada 10 crianças e adolescentes – ou seja, 617 milhões - não adquirem as competências mínimas em literacia e numeracia; 750 milhões de jovens e adultos ainda não sabem ler e escrever - e destes, dois terços são mulheres. Estas lacunas, que são extremamente incapacitantes, levam à exclusão de fato da sociedade e perpetuam a espiral de desigualdades sociais e desigualdades de género.

A tudo isto se soma agora um novo desafio: um mundo em plena mutação, onde o ritmo das inovações tecnológicas está continuamente a acelerar-se. Para poder encontrar um lugar na sociedade, conseguir um emprego e responder aos desafios sociais, económicos e ambientais, as competências tradicionais em literacia e numeracia já não são suficientes; novas competências, inclusive em tecnologias da informação e comunicação, estão a tornar-se cada vez mais necessárias.

É um desafio preparar os jovens e os adultos para empregos que na sua maioria ainda não foram inventados. É por isso indispensável ter acesso a uma aprendizagem durante toda a vida, tirar proveito de caminhos e pontes entre as diferentes modalidades de formação e beneficiar de grandes oportunidades de mobilidade.