terça-feira, 20 de março de 2018


PLASTICOLOGIA MARINHA 


O Oceanário de Lisboa pretende contribuir para elevação da literacia dos oceanos, em Portugal, promovendo o  seu conhecimento, assim como a vontade de contribuir para a sua conservação, tendo como base os valores da sustentabilidade e da necessidade de proteger a biodiversidade marinha.

Assim, a nossa escola contou com 6 ações de educação ambiental , destinadas aos 5º e 6º anos, dinamizadas  pela formadora Daniela Teixeira, que abordou a problemática do plástico nos oceanos e forneceu ferramentas para conseguirmos  minimizar o seu impacto  através da alteração de comportamentos. 

O entusiasmo e interesse dos alunos foram muito gratificantes, o que  permite concluir que os objetivos da iniciativa foram atingidos.  


"Miúdos a votos, quais os livros fixes?"

A leitura pode ser promovida de diferentes modos. Chamar à atenção para o valor civilizacional da leitura é algo que pode ser feito num ambiente mais formal ou de um modo lúdico. 

A revista Visão e a Rede de Bibliotecas Escolares promovem uma campanha “Miúdos a votos, quais os livros mais fixes?”, em que se pretende que os alunos dêem conta de um livro em que possam defender como um objecto com o qual se identificaram ou dele retiraram um simples prazer de ler.

Os alunos podem fazer uma campanha eleitoral por um livro fixe e apelar aos colegas que participem numa votação nacional. 
Votar por um livro, por um conjunto de ideias é sem dúvida uma forma lúdica e divertida de promover o livro e a leitura. 
Existe um conjunto de livros para fazer a escolha e participar nessa campanha e que se encontram no link abaixo. 

quinta-feira, 15 de março de 2018

O livro e o leitor (IV)

                  O livro e a leitura - celebrar os momentos íntimos da leitura!


“Um livro é uma coisa entre as coisas, um volume perdido entre os volumes que povoam o indiferente Universo, até que encontra o seu leitor, o homem destinado aos seus símbolos. Acontece então a emoção singular chamada beleza, esse mistério belo que nem a psicologia nem a retórica definem. “A rosa é sem porquê”, disse Angelus Silesius; séculos depois Whistler declararia! A arte acontece”. 

Biblioteca Pessoal / Jorge Luís Borges. Lisboa: Quetzal.
Imagem: Henri Lebasque, Girl Reading.

Uma obra de arte por semana (IV)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real, reconstruir o mundo!

“Uma mulher inconsolável
está à janela,
um baloiço de criança
enferruja ao vento, um espião
solitário está sentado na sua autocaravana,
nas dunas, recetor de rádio
no ouvido. Não, aqui não podemos
escrever postais,
nem se pode sair do carro. Diz-me, filha,
o teu coração oprime-te, como
o meu, praia de seixos batida
ano após ano pelas ondas
do mar para norte,
cada pedra uma alma morta,
e este céu tão cinzento,
tão uniformemente cinzento,
e tão baixo
nunca assim vi um céu
em parte alguma."


Do natural / W. G. Sebald. "VI", in Do natural. Lisboa: Quetzal. 2012.
Imagem – Copyright: Sheboygan County's 

Um poema por semana (IV)

                      Um poema por dia - a imaginação para iluminar ou compreender o real!


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma

Poesia / Sophia de Mello Breyner Andresen. 1ª ed., Lisboa: Caminho, 2009.

quarta-feira, 14 de março de 2018




SEMANA DA LEITURA 

Na nossa escola, a Semana da Leitura, este ano subordinada ao mote Liberta o leitor que há em ti, pretendeu homenagear as mulheres com várias atividades. 

Ao longo da semana , foram dinamizadas Leituras Surpresa, em sala de aula, de poemas  e textos alusivos à condição feminina. Foram lidos e comentados poemas de António Gedeão, Cesário Verde, Florbela Espanca, Maria Velho da Costa, Lídia Falcon,  Sophia Andresen, Natalia Correia, Ana Luísa Amaral,entre outros. Também ao longo da semana, os alunos realizaram trabalhos sobre as  mulheres feministas portuguesas que viveram durante os primeiros vinte anos da República e que criaram as primeiras  organizações  partidárias  feministas e femininas.  
No dia 8, foi realizada uma exposição temática alusiva à condição feminina no Douro Litoral em meados do século passado, com base na incontornável obra de Maria Lamas, Mulheres do meu país. 
Finalmente, no dia 9, foi realizado um encontro com alunas de 8º e 9º anos, durante o qual foram lidos e discutidos extratos  do livro Sapiens, de Yuval Noah Harari, nos quais se questiona a origem da distinção ancestral entre homens e mulheres. 

Embora o tema seja sedutor pelo estímulo à expansão dos direitos e preocupações com justiça social, assim como pelo apelo às traumáticas repercussões de uma cultura que insiste em acreditar que a anatomia providencia a dicotomia sexual  que os estudos atuais demonstram que mais não são do que construções culturais,  a professora bibliotecária lamenta o desinteresse e fraca adesão da comunidade escolar às iniciativas propostas.

                                                                                                                     Fernanda Silva



segunda-feira, 12 de março de 2018

Na memória de Raul Brandão

A outra coisa que exerce uma verdadeira fascinação é o Pico - tão longe que a luz o trespassa, tão perto que quer entrar por todas as portas dentro. Na verdade, parece um efeito mágico de luz, um fantasma posto aí de propósito para nos iludir e mais nada.  Toma todas as cores: agora está violeta logo está rubro. Tarde, e a Lua enorme a nascer por trás daquele paredão imenso que chega ao céu. 
É majestoso e magnético. Está ali presente como um vagalhão que vai desabar sobre o Faial. Esta noite é um sonho: o cone muito nítido emerge de nuvens brancas que o rodeiam e parecem elevá-lo num triunfo ao céu. Às vezes, de Inverno, a neve brilha lá no alto com reflexos de jóias, outras são as nuvens que lhe dão formas extraordinárias. Se eu vivesse aqui, queria uma casa e uma cama onde só visse o Pico. Ele enchia-me de vida. 

O homem que teve a ideia de bordar as estradas com estas plantas [hortenses] devia ter uma estátua na ilha. Em nenhum outro lugar elas prosperam melhor: querem luz velada, humidade e calor - estão no seu meio. O seu azul é o azul esmaltado dos Açores nos dias límpidos. Nos dias turvos substituem a cor do céu: são o azul desta terra enevoada e uma das suas maiores belezas. Imaginem o cinzento que se derrete e alastra e torna o céu mais escuro, a atmosfera mais húmida, e sob isto ao azul cada vez mais azul, as molhadas de flores duma cor cada vez mais intensa e mais fresca. 

A volta na luz da tarde é um assombro. Vejo o Salão e Pedro Miguel, todos azuis de hidrângeas; sigo extasiado pela estrada azul, com o Pico ao fundo e S. Jorge à esquerda formando uma enorme baía. É o horizonte de Nápoles mais escuro, a esta hora iluminado por uma luz rica de efeitos. Em baixo colinas, sempre colinas - não como as montanhas solenes das Flores em picos aguçados pelo raio, mas arredondados e mansos. Borbotões de azul despenham-se por todos os lados. O faial adormece em azul sob o céu de cinzento e com o Pico todo violeta ao lado. 

À noite não posso dormir; estou encharcado de azul. Vou a pé pela estrada fora sob o luar derretido. Diante de mim abre-se o abismo do mar cheio de estrelas. Nasceu, subiu a Lua numa paz extraordinária, apagando o brilho dos diamantes, mas entre os últimos reflexos vibram os fios das vagas quebrando na costa e desaparecendo logo no boqueirão todo negro. Mais luar e o silêncio que espera de nós qualquer comunicação sobrenatural. Olho. todas as hortenses se puseram brancas, dum branco perfeito, todas as hortenses não desfitam  os olhos de mim, quietas e brancas, imóveis e brancas.1

Raul Brandão. (2011). As ilhas desconhecidas. Lisboa: Quetzal, páginas 81, 82, 83 e 90.
Imagens - Na estrada da Horta para Flamengos. Ilha da Horta. Açores; Copyright - Júlio Machado