Caminhamos, respiramos, viajamos entre espaços pelo pelo que somos, pelos
mecanismos biológicos ou pelo espírito que nos anima? Somos pessoas porque
voamos entre linhas desenhadas na imaginação, caminhamos fisicamente pelo que
nos é dado ou é a convicção que nos alimenta o caminho?
No contínuo caminhar que fazemos reside o nosso empenho na forma como o
fazemos, nas opções que colocamos no caminho, nos instrumentos que concebemos
para o sonho. Ficamo-nos na crença cega do modo como andamos, ou estimamos as
possibilidades de chegar ao crepúsculo da tarde?
Na viagem que construímos é o rio que
corre em nós, que nos alimenta a definição do caminho, nos faz criar os
instrumentos capazes de superar os limites físicos, operacionais do corpo, para
conquistar esses momentos de superação, de uma epifania de vontade e
determinação. Na errância com que nos vemos, são essas cores com que pintamos o
real que embelezam a respiração das auroras amanhecidas na alegria da viagem,
como elemento essencial do sonho vivido.
A educação sentimental dos pássaros: onze contos sobre anjos, demónios e outras pessoas quase normais / José Eduardo Agualusa ; rev. Clara Boléo. - 1ª ed. - Alfragide : Dom Quixote, 2011. - 127 p. ; 24 cm- - ISBN 978-972-20-4704-3

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