quarta-feira, 11 de dezembro de 2019




  Educar para a Cidadania. 


A nossa escola agradece à Associação Sindical dos  Juízes Portugueses, na pessoa da Dra. Juíza Daniela Cardoso, a excelente palestra subordinada ao tema Educar para a Cidadania. 

Esta versou sobre  assuntos relacionados com  o que é o direito, com o   papel do Dr. Juiz  e do Ministério Público, sobre  direitos e deveres de cada pessoa. Na sua interação com a audiência, foram apresentados  inúmeros comportamentos, socialmente  tidos  como  toleráveis, mas que se encontram elencados no Código Penal enquanto crimes. 

É de louvar a iniciativa desta associação profissional, pela assunção de que a articulação do Poder Judicial com a Educação pode ser um fator preditivo de uma sociedade mais justa. 




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019


AULAS SEM         FRONTEIRAS

BIBLIOTECA



9 de dezembro, 9:15-10:05


A aluna de Erasmus  Senouci Rachida , argelina, veio apresentar-nos o seu país, falar das suas tradições, geografia, comidas/bebidas típicas, língua, clima, etc., bem como experiências vividas no Porto.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

No âmbito da comemoração deste dia, foi aplicado o Referencial Aprender com a Biblioteca Escolar  em concertação com a professora Luisa Queiroz. 

Pretendeu-se com a atividade  proporcionar uma experiência diferente, online, de modo a que os alunos tenham um maior contacto com as tecnologias digitais. 





segunda-feira, 18 de novembro de 2019


ATIVIDADES PREVISTAS PARA NOVEMBRO E DEZEMBRO


No dia  25 de novembro,entre as 9:15 e 10:05 ,  a nossa escola contará com a presença da aluna de Erasmus Rachida Senouci. Esta aluna, argelina, virá apresentar-nos o seu país de origem, falar-nos-á das suas  tradições, geografia, comidas/bebidas típicas, língua, clima, etc., bem como de experiências vividas no Porto.



No dia 10 de dezembro, contaremos com a presença da Associação Sindical de Juízes Portugueses que nos virá falar de  cidadania, no âmbito do Programa  Educar para a Cidadania. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2019


Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis
No âmbito da comemoração do Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis, celebrado a 8 de novembro, a nossa escola, por iniciativa da professora Alexandra Ferreira, assinalou a data com uma palestra dinamizada por  estagiárias da Faculdade de Nutrição, sob a supervisão da Professora Doutora Isabel Miranda . 
Foram abordados temas relacionados com mitos e crenças sobre alimentação e foi dada especial ênfase à dieta mediterrânica por se considerar a mais racionalmente sustentável.
Sabendo-se que , na União Europeia, metade da população adulta e um quarto das crianças em idade escolar tem excesso de peso e que estas tendem a conservá-lo na idade adulta , foi objectivo da palestra  incentivar os nossos alunos a  optar por um regime alimentar equilibrado e a fazer mais exercício físico.


terça-feira, 29 de outubro de 2019

MÊS INTERNACIONAL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES 

No âmbito do Mês Internacional  das Bibliotecas Escolares, o Dia da Biblioteca Escolar foi celebrado com uma ação para docentes sobre a importância do trabalho cooperativo e   sobre o Referencial Aprender com a Biblioteca Escolar . 




 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019


ENCONTRO COM  A ESCRITORA ANA MAFALDA DAMIÃO 

Hoje, Dia Mundial das Bibliotecas Escolares, recebemos a visita da escritora Ana Damião. 
Animais e  Direitos dos Animais foram os assuntos abordados .



quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O mundo em que vivi (II)

"Ai, que bela poderia ser a vida, que nos presenteava com coisas tão maravilhosas: a neve a cair silenciosamente lá fora, as maçãs assadas, a compota de morangos... se não houvesse as dúvidas angustiosas e a desconfiança contra ela, a própria vida!" (1)

A Literatura de memórias tem nos últimos anos dado uma grande importância ao testemunho dos momentos particulares, da intimidade com que tantas pessoas sujeitas a processos políticos e sociais violentos foram capazes de sobreviver e construir a sua identidade. O mundo em que vivi é de um tempo, em que esse tipo de literatura ainda não tinha uma grande expressão na Europa, mas enquadra-se muito nesse espírito.

Ilse Losa escreve na primeira pessoa, a experiência da sua infância, do início da adolescência na Alemanha dos anos trinta, dando-nos a memória da sua família, de um passado com os seus avós, de um universo que se perdeu em muitas das suas particularidades e afetos. É um livro sobre esse momento inexplicável da história humana, em que a ausência de um espírito corrompeu a essência da vida e a dignidade de milhões de seres humanos.

Nele percebemos como o impossível pôde ser possível, pela crença de um povo numa esperança que se ausentou de si no mais óbvio, onde aos sinais sucessivos foram dadas respostas pouco adequadas. É um livro sobre a vida num século, onde assistimos à construção de um tempo global dominado por uma estética de agressão, de desvinculação das pessoas a uma comunidade, a uma cultura. São esses fragmentos de mundos particulares que chegam até nós.

Em O mundo em que vivi recebemos os espaços, as atmosferas de uma condenação no plano individual a uma cultura que não pôde sobreviver, que se desmoronou, nas perguntas de silêncio de milhões de judeus que interrogaram os dias. Dessas perguntas, as respostas impossíveis chegaram acima de toda a probabilidade, acima de toda a decência humanas. A história de Ilse Losa teve um fim feliz e com ela recordamos esse passado, de onde ela sobreviveu para uma vida de escritora, na cidade do Porto. O mundo em que vivi é em parte, esse caminho para uma escrita que ela preencheria com momentos particulares, os "pequenos nadas" que podem fazer renascer os momentos da vida.

 O mundo em que vivi / Ilse Losa. - 33ª ed. - Porto : Afrontamento, 2014. - 196 p. ; 21 cm. - (Fixões ; 14). - Ler+ Plano Nacional de Leitura. - ISBN 978-972-36-0535-8

O mundo em que vivi (I)

Eram as flores no friso da janela que davam a nota mais colorida à sala de estar, virada para a rua. A tia Gertrud da América mandara, certo dia, um cartuchinho de sementes que a avó espalhara num vaso com terra. Em breve nascera uma roseira. Não uma roseira vulgar, mas sim rara, que dava apenas uma rosa em cada Verão, rosa dum vermelho carregado e, no dizer da avó, mais bela e mais duradoura do que todas as rosas da aldeia. Assim como o Sol é o astro mais altivo e mais luminoso no friso da janela. 

Ao contemplá-la, absorta, pensava na terra da América e na cidade de Nova Iorque, que estava para a nossa aldeia como o elefante para a mosca. E assaltava-me então a curiosidade de terras distantes, estranhas, de tal forma que me esquecia do avô Markus, a quem prometera nunca deixar. Sonhava com ruas largas, sem fim, onde floresciam sebes de rosas diante de casas brancas cujas janelas transbordavam de rosas, molhos e molhos de rosas, e uma inquietação tomava posse de mim. A Ânsia de permanecer junto do friso da janela e ao mesmo tempo de poder estar lá, onde as rosas eram assim, e até em toda a parte do mundo.

Ao lado da janela, precisamente onde floria a roseira americana, a avó Ester dormia todas as tardes a sua sesta de quinze minutos. A cabeça encostada à almofada, os pés no escabelo, certinhos um ao lado do outro, a meia com as cinco agulhas no regaço, dormia sem se mexer. O rosto miúdo, sulcado de rugas, donde o nariz parecia quere saltar, refletia o seu cansaço. Quando a via assim a dormir, lembrava-me dum pássaro morto que certa vez encontrei, com o avô, na borda de um poço coberto de neve.

Entretanto eu tinha licença de folhear as velhas revistas, de dobrar tiras de papel para acender o candeeiro a gás ou o cachimbo do avô, pois a avó não consentia que se gastassem fósforos estando o fogão aceso para fornecer lume. De tempos em tempos interrompia essas ocupações para contemplar a avó a dormir. Em vão procurava no rosto esgotado os vestígios da beleza e da graciosidade que tivera, no dizer do avô, quando fora nova e ele a escolhera para mulher.

Uma das duas portas da sala de estar dava para o quarto de dormir, onde pairava sempre um cheiro a lilases saído da gaveta inferior da cómoda. Ali a avó guardava as suas quinquilharias pessoais. Não deixava de ser estranho ela, a mulher prática, não conseguir desfazer-se de todas essas rendas e rendinhas, golas e golinhas antiquadas, dos leques, das flores de papel e de outras coisas no género, eme vez disso conservá-las em caixas de sabonetes e latas de rebuçados. 
A avó dormia numa das suas camas, enquanto eu ficava com o avô na outra. Era ela que me lavava, no fim do dia, dos pés à cabeça, numa bacia de zinco, mas era o avô quem me levava às cavalitas para a cama que, nos primeiros dias depois de a avó lhe ter mudado os lençóis, cheirava a alfazema. Todas as noites o avô se sentava ao meu lado. Contava histórias e cantava canções. A voz volumosa, grave, animava a escuridão com as figuras dos contos de fadas e da Bíblia e embalava-me até eu adormecer.

Certa noite, depois de ele me ter deixado, aproximou-se da janela aberta um ruidoso bater de asas. Suspendi a respiração e julguei morrer de medo. Duas asas batiam sobre a minha cabeça e os meus ombros. Quis gritar, mas a garganta aperte-se-me. Fechei os olhos, abri-os, cravei-os na escuridão… Já não havia mais nada. Pela janela aberta, entrava, leve e fresco, o ar da noite. Sentei-me, apalpei tudo em redor, ergui os braços. Nada. Só a escuridão e o silêncio. Quem estivera comigo? O anjo de Jacob? O pássaro gigante? O rei dos amieiros? Mas os reis tinham asas?... Quando finalmente o avô tornou a entrar para se deitar ao meu lado, aconcheguei-me, aliviada, nos seus braços.

 O mundo em que vivi / Ilse Losa. - 1ª ed. - Porto : Manaus, 1949. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019






Em Portugal, o Dia da Biblioteca Escolar é assinalado na quarta segunda-feira de outubro, este ano, dia 28, mas em todo o mundo, e segundo a proposta da International Association of School Librarianship (IASL), o mesmo pode ser comemorado durante um dia, uma semana ou mesmo durante o mês de outubro.

Brevemente, publicaremos as atividades  a serem desenvolvidas. Para isso, contamos com a colaboração de todos os que nos leem. 



segunda-feira, 3 de junho de 2019

Na memóra de Agustina


Todos os meus livros são, afinal, só isso, a oportunidade de milhões de almas, únicas, todas elas, almas de sapinhos cheios de importância de viver. [...] Uns partem um pouco depois de dizerem bom dia, outros ficam até morrer. Todos se continuam naquilo que têm de profundamente entre si - a vocação para serem sós, porém aceites por cada uns dos outros. Porque a solidão que me acusam de impor aos meus personagens, como uma grilheta, é apenas a sua individualidade biológica, a exclusividade, a reivindicação superior da sua própria luta. Um homem jamais corresponde a outro homem; as suas reações e conclusões não equivalem a vivência de outra alma, a experiência do outro eu. O mistério do eu cumpre-se em cada homem de forma única". (1)

“Há muitas coisas belas na terra, mas nada iguala a recordação de um dia de Verão que declina, e temos 11 anos e sabemos que o dia seguinte é fundamental para que os nossos desejos se cumpram. Quem conservar este sentimento pela vida fora está predestinado a um triunfo, talvez um tanto sedentário, mas que tem o seu reino no coração das pessoas.” (2)

O mais veemente dos vencedores e o mendigo que se apoia num raio de sol para viver um dia mais, equivalem-se, não como valores de aptidões ou de razão, não talvez como sentido metafísico ou direito abstracto, mas pelo que em si é a atormentada continuidade do homem, o que, sem impulso, fica sob o coração, quase esperança sem nome. (3) 

Não são os crentes que se salvam; são os que esperam em plano de igualdade com o que é eterno - a vida humana e a realidade dos seus direitos. Devo acrescentar aqui alguma coisa que sempre me pesou: acima dos amigos eu tive o pensamento; além da gratidão, eu pus o amor forte e generoso pela vida. (4)

Agustina Bessa-Luís,
(1) in Revista Lusíada. Porto, Outubro, 1955.
(2) As Pessoas Felizes
(3) Sibila
(4) O chapéu de fitas a voar

 Retemos dela uma ideia de uma luz de quem caminhou ao contrário, da maturidade para a infância, de quem nos ensinou que a vida é demasiado importante para ser levada a sério e que por isso nada mais difícil do que o gesto grave, a dureza do caminho, para os que procuram um lugar de felicidade, de conquista de individualidade. Por isso as fórmulas rápidas e fáceis são inexpressivas de qualquer verdade, pois em cada ser há uma respiração diferente.
Nas suas obras, as mulheres de diferentes gerações revelam essa aspiração de humanidade, que condensam o que viveram, o que sonharam, em luta com o real sem se saber se se ousou o suficiente, se a afirmação foi suficiente para chegar a esse momento quase final em algo que se compreendeu. 
 É uma das grandes figuras da cultura portuguesa deste século e de muitos outros. Pela escrita, pelos temas, pelo humor e por aquele sorriso de quem já parece ter percebido o sentido das coisas e por isso sorri para o horizonte, como a criança acabada de nascer. Havia nela uma sabedoria na compreensão das coisas e não sei se como em Eduardo Lourenço, muitos a citam e quantos a terão lido. É um figura essencial para compreender o século XX e esse património entre a cidade e o campo, o Douro, entre o esforço criativo e a dureza da vida, mas também o sentido criativo, a arte e o próprio tempo.

domingo, 2 de junho de 2019

Linhas de caminhos...



Caminhamos, respiramos, viajamos entre espaços pelo pelo que somos, pelos mecanismos biológicos ou pelo espírito que nos anima? Somos pessoas porque voamos entre linhas desenhadas na imaginação, caminhamos fisicamente pelo que nos é dado ou é a convicção que nos alimenta o caminho? 
No contínuo caminhar que fazemos reside o nosso empenho na forma como o fazemos, nas opções que colocamos no caminho, nos instrumentos que concebemos para o sonho. Ficamo-nos na crença cega do modo como andamos, ou estimamos as possibilidades de chegar ao crepúsculo da tarde?
Na viagem que construímos é o rio que corre em nós, que nos alimenta a definição do caminho, nos faz criar os instrumentos capazes de superar os limites físicos, operacionais do corpo, para conquistar esses momentos de superação, de uma epifania de vontade e determinação. Na errância com que nos vemos, são essas cores com que pintamos o real que embelezam a respiração das auroras amanhecidas na alegria da viagem, como elemento essencial do sonho vivido.

A educação sentimental dos pássaros: onze contos sobre anjos, demónios e outras pessoas quase normais / José Eduardo Agualusa ; rev. Clara Boléo. - 1ª ed. - Alfragide : Dom Quixote, 2011. - 127 p. ; 24 cm- - ISBN 978-972-20-4704-3

sábado, 1 de junho de 2019

junho


junho tem ar de festa
mesmo que festa não haja.
Não se sabe bem porquê,
se todos ainda trabalham.
Talvez festa de ser véspera
de chegar, em junho, o Verão
e com ele um ,
um comboio, um avião,
ou simplesmente umas pernas
de andarilho sem receio,
que nos levem com os amigos
a um lugar de eleição
que se guarde para sempre
no baú do coração.

O livro dos meses / João Pedro Mésseder ; il. Ana Biscaia, Arianna Vairo. - [Lousã] : Lápis da Memória, 2012. - 35 p. : il. ; 21 cm. - ISbn 978-989-97852-0-5
Imagem: Copyright - André Neves

quarta-feira, 1 de maio de 2019

um de maio


No dia do Trabalhador:

Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam que são as mãos de deus
— eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.
Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.
Eugénio de Andrade, "Coração Habitado", in Poesia / Eugénio de Andrade ; pref. José Tolentino Mendonça. - 1ª ed. - Portp : Assírio & Alvim, 2017. - 671 p. - ISBN 978-972-37-1945-1
Imagem - Leonardo da Vinci, Estudo de mãos, 1474
(No Dia do Trabalhador, as mãos são ainda um dos mais belos símbolos que ainda permitem trazer a dignidade do trabalho, como forma de construir o quotidiano, de o compor de beleza.)

Maio


" (...) no mês de Maio que é o mês da liberdade
no mês de Maio que é o mês dos namorados".

Manuel Alegre, "Nós voltaremos sempre em Maio "
Imagem, in http://takaclip.tumblr.com/

segunda-feira, 29 de abril de 2019



CLUBE DE FRANCÊS 


É na nossa biblioteca que tem funcionado o Clube de Francês. Este  pretende promover o contacto com a língua e cultura francesas de forma lúdica, de modo a  motivar os alunos para o desenvolvimento de algumas das competências, atitudes e valores previstos no Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória





quinta-feira, 25 de abril de 2019

Abril


Celebra-se o vinte e cinco
de Abril de setenta e quatro,
pois Abril é revolução
no ar, sim, como no chão,
onde alguém desenha a giz
a silhueta futura (...)

Abril é também promessa

de tesouros no Estio,
que está longe  (ainda é frio).
águas mil por certo vêm,
mas outros dias já trazem
uma luz azul também.

E este Abril é ainda

o mês em que os livros voam
da minha mão para a rua,
da tua p'rá minha mão,
e das mãos voam p'rós olhos
e dos olhos para a mente
e daí p'ró coração.
João Pedro Mésseder, "Abril", in O Livro dos Meses 
Imagem, Flor de Primavera, Jettie Rosenboon


CARTAZES DE ABRIL


Porque a nossa história também se faz pela descrição gráfica representada  em  cartazes políticos  .....



quarta-feira, 10 de abril de 2019

Memória de Sophia (I)


Gosto de uivar ao vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.”

Sophia, “Pirata”
Coral / Sophia de Mello Breyner Andresen ; pref. Manuel Gusmão. – 1ª ed. – Porto : Assírio & Alvim, 2013. – 113, [6] p. ; 21 cm. – (Obras de Sophia de Mello Breyner Andresen). – ISBN 978-972-37-1702-0
Imagem: Copyright – Augenlicht

sexta-feira, 5 de abril de 2019




DIA DO AGRUPAMENTO


Porque hoje é o Dia do Agrupamento, a biblioteca dinamizou 

jogos online sobre a vida e obra das  suas patronas.  






quarta-feira, 3 de abril de 2019


ESCREVER PARA SER


Escrever é criar, recriar, é descobrir-se em cada palavra, é vivenciar os sentimentos e organizar os pensamentos. Escrever permite-nos estar a sós connosco, apreciando a nossa companhia……



terça-feira, 2 de abril de 2019


 Journée de la Francophonie

De acordo com dados do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros, o francês é a quinta Língua mais falada no mundo. Com cerca de 274 milhões de locutores, o francês é ainda segundo governo francês a segunda língua mais ensinada no mundo, a quarta língua da internet, a terceira língua do mundo dos negócios e a segunda língua da informação internacional nos meios de comunicação social.
Na impossibilidade de termos assinalado o Dia da Francofonia no dia 20 de  março, assinalamo-lo agora. Para isso, contámos com a presença da Dra Luísa Pacheco, uma das autoras de um dos manuais adotados, que veio dinamizar uma atividade lúdica de sensibilização para a escolha do francês no sétimo ano de escolaridade.  


quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia


Segundo a Diretora Geral da Unesco,Audrey Azoulay, "...a poesia, em todas as suas formas, é uma poderosa ferramenta de diálogo e de aproximação. Expressão íntima que abre portas aos outros, enriquece o diálogo...  reflete a universalidade da condição humana, o desejo de criatividade que atravessa todos os limites e fronteiras do tempo e do espaço, numa afirmação constante de que a humanidade é uma mesma e única família".
E como forma de homenagear a nossa patrona ...
























quarta-feira, 20 de março de 2019

PERCURSOS PELA CIDADE

Diferente foi este nosso percurso pela cidade do Porto, onde " ...há pouco ainda pelas suas quatro portas habituais só se podia entrar a tremer, com licensa paga, por um túnel ou revistado de cima a baixo - maneiras , como se vê, difíceis e reticentes -...." (M.Torga, 1944).

Da escola à Serra do Pilar, a pé e de metro, observando e ouvindo a Professora Marília Lobo,  lendo textos e registando  apreciações  alusivos à cidade ....




quinta-feira, 14 de março de 2019

SEMANA DA LEITURA NA EBIL


Programa

11 de março
Ensaio da peça A asa e a casa

13 de março
10 minutos a ler  na escola

14 de março
Momento musical com os 5º anos
Ensaio geral da peça A asa e a casa

15 de março
Apresentação da peça  A asa e a casa







Feito com Padlet




MOMENTO MUSICAL , 5º ANO


sexta-feira, 8 de março de 2019

Elas

“Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. 

Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram.

Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar À roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que agente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte da casa fechada. 

Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.”

Maria Velho da Costa. (1976). Cravo. Lisboa: Moraes Editores.
Imagem: Copyright - Alfredo Cunha Official Fujifilm X-Photographer, Vila Verde, 2001

quinta-feira, 7 de março de 2019

A palavra e o mundo - O enigma da chegada (II)

"Eu via uma floresta. Mas não era realmente uma floresta; era a penas o velho pomar nas traseiras do casarão em cuja propriedade se encontrava a minha casa. Aquilo que via, via-o muito claramente. Mas não sabia para que estava a olhar. Não tinha nada em que pudesse encaixar aquilo que via. Sentia-me ainda uma espécie de limbo." (1)

V. S. Naipul tem uma obra longa e premiada, com destaque para o Booker Prize de 1971 e o Prémio Nobel da Literatura em 2001. Natural de Trindade, nas Caraíbas descende de uma família de origem indiana, cujos antepassados vieram da Índia para as Antilhas no processo de globalização económica que foi o Império Inglês no século XIX. V. S. Naipul concilia uma ironia e uma observação britânica com um espírito de análise e um minimalismo de vida ligado ao hinduísmo e à sua memória.

Partiu jovem para Inglaterra para estudar Literatura em Oxford e a sua vida de escritor   mistura-se, a partir de certo momento com a do homem. Processo e descoberta difícil, enquanto o escritor não compreendia que homem o habitava, nessa relação de culturas que viveu de forma intensa. O enigma da chegada, livro de 2008 é um testemunho deslumbrante desse percurso de vida e do nascimento do escritor e dos temas que o fundiram com o homem, o adolescente e criança em Trindade e o adulto em Oxford.

O enigma da chegada descreve-nos a evolução de um escritor, os locais por onde viveu, com destaque para o lugar que o fez renascer. Justamente um vale perto de Stonehenge, onde habitou uma casa que integrava uma grande propriedade rural, o que nos permite conhecer uma região, a sua ocupação humana no tempo. Espaço pertencente à aristocracia rural, nela vemos desfilar as personagens que lá trabalhavam, as suas motivações e compreendemos a atmosfera que as envolvia, o seu trabalho, a sua visão do mundo, a sua intimidade com as coisas. A casa habitada pelo autor e as experiências vividas nessa propriedade deram-lhe a possibilidade de encontrar o sentido, o significado para a efemeridade da vida humana.

O enigma da chegada faz a descrição precisa da paisagem, como o autor a via nos seus passeios e permitiu-lhe abordar um microcosmo, a sua relação com a sociedade e como o tempo vai desfazendo sentidos antigos. O enigma da chegada é um livro que pertence a uma categoria muito restrita. Aquela que tem a capacidade de dialogar com o leitor, como se falasse com ele directamente. O enigma da chegada é uma longa e aprazível conversa, onde se revela uma grande sensibilidade na observação. Os passeios de V. S. Naipul dão-nos uma observação muito cuidada da Natureza, da sua evolução no tempo. "O jardim de Jack" e os trabalhadores da mansão dão oportunidades de reflexão ao autor sobre a vida, as escolhas que se fazem e delas extrai sentidos que parecendo particulares são absolutos sobre a própria existência.

O passado, os seus fragmentos sem memórias, os vestígios, relíquias de outras vidas, de outros sonhos procuram dar um significado para a ideia de ruína e degradação. Sendo um livro auto-biográfico é muito, uma obra literária sobre o Homem no Tempo. Uma geografia antes dos homens, o trabalho humano como uma declaração poética, um sentido vivo da vida ou só mais uma ruína, são questões colocadas. Como lidar com essa mutação da vida, dos seus objectos no tempo, como compreender a degradação contínua, a mudança constante em nós, no nosso tempo?

A experiência do que vivemos e a linguagem, como instrumentos de uma memória e de uma exaltação são tentativas para obter uma resposta. E ainda a consciência final de que sobre a melancolia e as nossas dores é importante compreender "que a vida, o ser humano, era o mistério, a verdadeira religião dos homens, a dor e a glória" (p.438). E compreendê-lo com assombro pela vida e pelos homens. E aceitar que a vida é sempre o recomeço de nós próprios. E verificar mais uma vez que a Literatura pode ser em alguns circunstâncias um instrumento de contextos, de significados poéticos para uma sobrevivência. A da memória .

(1) V. S. Naipul. (2013). O enigma da chegada. Lisboa: Quetzal.

A palavra e o mundo - O enigma da chegada (I)

Jack vivia no meio de ruínas, no meio de coisas que já não serviam para nada e tinham sido substituídas por outras. Porém, esta visão de Jack e do ambiente que o rodeava só me surgiu mais tarde, e impôs-se com mais força agora, à medida que vou escrevendo. Não foi a impressão com que fiquei da primeira vez que, num dos meus passeios, passei por lá.

Essa ideia de ruína e degradação, essa sensação de deslocamento, era algo que eu experimentava em mim mesmo, algo que transportava em mim: um homem de meia-idade, originário de um outro hemisfério, com um passado completamente diverso, procurava repouso numa casa de uma propriedade meio abandonada, uma propriedade cheia de recordações de um passado eduardiano, com escassas ligações ao presente. (...)

No entanto, quanto a Jack, eu via-o como um elemento mais na paisagem. A sua vida parecia-me autêntica, enraizada, adaptada: a vida de um homem que encaixava perfeitamente na paisagem. Via-o como um vestígio do passado (cuja desagregação era anunciada pela minha própria presença).

Quando dei aquele primeiro passeio e me limitei a ver a paisagem, tomando aquilo que via como simples elementos desse mesmo passeio, coisas que podíamos encontrar no campo em redor de Salisbury, coisas imemoriais, apropriadas, não me ocorreu que Jack viva no meio do lixo, no meio das ruínas que tinham quase um século; que o passado que envolvia a sua casa podia não ser o seu passado; que podia ter sido, num dado momento, um recém-chagado ao vale; que o seu estilo de vida podia ter sido uma opção, um ato consciente; que, do pequeno terreno que lhe coubera em sorte juntamente com a casinha de trabalhador ruaral, Jack criara uma casa especial para si mesmo, um jardim onde (embora rodeado de ruínas, recordações de vidas desaparecidas), ele se sentia mais do que feliz por levar a vida que levava e onde, como numa versão de um Livro de Horas, ele celebrava as estaçoes. (....)

E, no entanto, ainda demorei algum tempo, à medida que ia ganhando consciência das estações, a descobrir o jardim. Até então, o jardim estivera simplesmente ali, qualquer coisa no caminho, um ponto de referência, nada que merecesse grande atenção da minha parte. E, no entanto, eu amava aquela paisagem, as árvores, as flores, as nuvens, e era sensível às mudanças de luz e temperatura.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


Neste nosso primeiro  Percurso pela Cidade, visitamos a Câmara Municipal do Porto. Fomos recebidos pela Dra. Lurdes Ribas, que nos falou de história , mas que também nos contou histórias  acerca do icónico  edifício.
Publicamos as imagens que estiveram na origem do seu discurso.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019


DIA DE S. VALENTIM


Segundo o estudo recentemente divulgado da investigadora Madalena Oliveira, da Universidade Fernando Pessoa, “Transmissão intergeracional da violência: o contexto familiar, as relações de intimidade e as crenças dos jovens”, com base num inquérito realizado nos anos letivos de 2008 a 2010 e que envolveu 1476 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos de escolas de seis distritos do norte e centro do país, cerca de 25% dos jovens participantes, que mantinham àquela data um relacionamento íntimo, admitiu ter adotado um comportamento violento, pelo menos uma vez, com o seu parceiro/a, enquanto cerca de 22,5% admitiu ter sido vítima de agressão do parceiro/a.

Assim, no âmbito da comemoração do Dia de S. Valentim, a nossa biblioteca recebeu a visita de dois agentes da PSP, que vieram dinamizar uma ação subordinada ao tema  Quem te ama, não te agride!


Foram identificados comportamentos  incorretos, foram referidos os direitos das vítimas , assim como as diversas organizações às quais se pode recorrer em caso de necessidade. No entanto, a mensagem fundamental apelou à consciencialização da importância da denúncia e à desmistificação da reserva da vida privada no que a estes crimes diz respeito. 

De salientar a atenção e participação ordenada dos nossos alunos, o que permitiu concluir que o tema não só foi muito pertinente, como dele terão decorrido aprendizagens que, desejamos, surtam efeitos na desejável mudança de mentalidades.