segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia mundial do livro


O livro é um objeto único, raro por aquilo que nos dá. Ele é o único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo. Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de imagens, “o levantar a cabeça” imaginado, essas imagens que a leitura trouxe.

A leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio e concede-nos um processo de contra - movimento contra a cidade, o grupo, o barulho, o movimento, os outros, libertando-nos do tempo. Os livros são um dos objetos primordiais do que podemos chamar uma civilização.  

Com os livros guardamos a memória e as inquietações anteriores a nós, mas também neles descobrimos que eles nos fazem pensar melhor, afinal que podemos evoluir como pessoas, como sociedade. É na leitura que nos descobrimos, que verificamos os valores que nos conduzem, as formas de encontro que conseguimos estabelecer com os outros.

Os livros que lemos dizem muito das pessoas que conseguimos ser, dos conhecimentos que multiplicamos nas ideias que apreendemos e da perceção que temos do mundo e de nós próprios. Os livros emergem com as palavras, ao nomeá-las, estamos a dar-lhes a substância de existirem, mesmo que se refiram ao que não temos, mesmo que sejam os sonhos antes dos sonhos, a respiração de ver o que se ama. Os livros e a leitura confirmam essa possibilidade maior de aceitarmos em partilha as vozes que nos chamam para o reconhecimento múltiplo da humanidade.  

Os livros são elementos de um ritual de silêncio e descoberta, instrumentos para a construção dum paraíso, essa divindade, de que tanto carecemos, as Bibliotecas. Com elas, e neles, vivemos momentos de recolhimento e reflexão. É dos livros e do seu silêncio ordenado que recebemos essa energia que nos permite descobrir em poucos anos universos inteiros. É pelos livros, pelas suas palavras, que damos peso, estrutura ao que somos.

É na respiração das palavras que anunciamos as formas como vemos o mundo, e somos muito “aquilo que as palavras ouvem” (António Manuel Pina) e é por isso que eles são a mais bela forma de registar o mundo e as suas cores. 

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