Uma obra de arte por dia - Interpretar o real, reconstruir o
mundo!
está à janela,
um baloiço de criança
enferruja ao vento, um espião
solitário está sentado na sua autocaravana,
nas dunas, recetor de rádio
no ouvido. Não, aqui não podemos
escrever postais,
nem se pode sair do carro. Diz-me, filha,
o teu coração oprime-te, como
o meu, praia de seixos batida
ano após ano pelas ondas
do mar para norte,
cada pedra uma alma morta,
e este céu tão cinzento,
tão uniformemente cinzento,
e tão baixo
nunca assim vi um céu
em parte alguma."
Do natural / W. G. Sebald. "VI", in Do natural. Lisboa: Quetzal. 2012.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Faça o seu comentário