Uma obra de arte por dia - Interpretar o real, reconstruir o mundo!
As estátuas são formas humanas onde fazemos repousar um sentido de
perfeição, uma pureza de linhas capaz de guardar no tempo os nossos ideias de
beleza, a revelação de emoções que queremos exprimir em dias mais sucessivos
que a vida que nos é dada viver.
Ter sido é a referência da posteridade, essa
incapacidade de admirar o exposto sem se saber realmente como se foi, o quanto
se foi. Mas isso pouco importa para os admiradores do futuro, os que vierem de
séculos por nascer.
Por agora vive numa eternidade, este nu brilhante desenhado
na pedra como uma carícia continuada de mãos e pó deslizando em formas
construídas. A estátua é um momento de solidão, o contorno das emoções
desenhadas na pedra, a perfeição de um sentido vivo, imaginado, pensado.
A
estátua oferece-se à eternidade como a plenitude de um momento sagrado, quando
a beleza apenas existia. Quando a vida se aproximava só, ainda sem tentações de
tempo. A estátua tem múltiplas vidas, desde que se vai formando pela mão do
escultor que compreende o seu material, o formaliza em conceitos de substância
até que ela própria ilumina o real e a vida dos que a contemplam.
A estátua
estará exposta ao ruído do mundo, às tentativas devoradoras do tempo e como a
vida de qualquer humano sofrerá adoração, admiração ou indiferença.
Estátua de
David (1504) – Miguel Ângelo, Galleria dell’Accademia, Florença.

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