O
Carnaval é uma das tradições populares que mais ligações desfruta com o passado
histórico. O Carnaval em Portugal já foi conhecido como Entrudo, a entrada para
quarenta dias de jejum de preparação para a Páscoa. Muitas das tradições que
comemoramos têm uma raiz histórica.
Em
alguns dos casos o tempo introduziu algumas alterações adaptando-se a novas
formas da sociedade. Outras permaneceram com um imaginário revelador de todo o
simbolismo que o viu nascer. O Carnaval é em larga medida a comemoração do fim
da longa noite do Inverno e a comemoração da Primavera que se avizinha. Nele se
podem observar os cultos de fertilidade da Natureza e a sua datação em alguns
casos perdem-se no tempo. Esse é o caso da aldeia de Podence, no concelho de
Macedo de Cavaleiros, os conhecidos caretos que no Carnaval chocalham as moças, são uma das mais
genuínas manifestações populares portuguesas.
Os
caretos de Podence têm uma raiz na cultura céltica, povo que habitou a
Península Ibérica no período pré-romano. Relaciona-se com outras culturas como
a existência dos povos Galaicos (Gallaeci) e Brácaros (Bracari) na Galiza e no
norte de Portugal. Existem igualmente fontes históricas que relacionam as
máscaras de Podence a festividades romanas, onde existiam desfiles nas ruas,
onde homens seminus vestidos com peles de animais participavam em manifestações
simbólicas ligadas à fertilidade.
Os
caretos são rapazes solteiros na tradição atual e que se apresentam como
figuras fantásticas imbuídas de valores lúdicos e pagãos e a sua aparição por
dois curtos dias representa o surgimento de forças ocultas e sobrenaturais que
depois são purificadas na fogueira final. Os caretos vestem-se de forma muito
colorida, com material feito em lã ou linho, vindo de peças familiares e
trazem chocalhos à cintura com que afugentam os elementos femininos. Levam na
mão um pau de freixo ou de castanheiro que serve de apoio quando correm.
O seu nome
"caretos" vem da palavra "máscara" tendo o seu aspeto uma
representação um pouco terrífica. São máscaras de latão que são pintadas de
vermelho ou negro e que têm um nariz pontiagudo e com as aberturas para olhos e
boca.
O seu aspeto é muito ameaçador, como "um diabo à solta". Os caretos de Podence revelam-nos as tradições rurais mais ancestrais de comunidades agrícolas que celebravam estes ritos no sentido de purificar os campos e aguardar a produção das terras que viria com a Primavera. Todo o ritual é uma tentativa de expurgar o mal de comunidades que viviam em dependência com a Natureza. É um Carnaval ainda autêntico com a memória histórica.
O seu aspeto é muito ameaçador, como "um diabo à solta". Os caretos de Podence revelam-nos as tradições rurais mais ancestrais de comunidades agrícolas que celebravam estes ritos no sentido de purificar os campos e aguardar a produção das terras que viria com a Primavera. Todo o ritual é uma tentativa de expurgar o mal de comunidades que viviam em dependência com a Natureza. É um Carnaval ainda autêntico com a memória histórica.
Conhecem-se
manifestações semelhantes em outros locais de Trás-os-Montes, como Vimioso, em
algumas aldeias dos concelhos de Vinhais, Bragança e mesmo no Alto Douro, como
em Lazarim, no concelho de Lamego.


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