quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Memória de Ruy Belo


Na minha juventude antes de ter saído
de casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer.

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer.


Ruy Belo, in Homem de Plavra[s]
Imagem, in corpodepoema.blogspot.com
(Nos oitenta e cinco anos do nascimento de  um poeta importante do século XX, que nos seus breves dias nos trouxe a alegria das manhãs, como imagens do que soube conhecer.)

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