Na
minha juventude antes de ter saído
de
casa de meus pais disposto a viajar
eu
conhecia já o rebentar do mar
das
páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava
o mês de maio era tudo florido
o
rolo das manhãs punha-se a circular
e
era só ouvir o sonhador falar
da
vida como se ela houvesse acontecido.
E
tudo se passava numa outra vida
e
havia para as coisas sempre uma saída
Quando
foi isso? Eu próprio não o sei dizer.
Só
sei que tinha o poder duma criança
entre
as coisas e mim havia vizinhança
e
tudo era possível era só querer.
Ruy
Belo, in Homem de Plavra[s]
Imagem,
in corpodepoema.blogspot.com
(Nos
oitenta e cinco anos do nascimento de um poeta importante do século XX, que nos
seus breves dias nos trouxe a alegria das manhãs, como imagens do que soube
conhecer.)

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