Semana da Leitura 2018 by Biblioteca - EBIreneLisboa on Scribd
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Referencial Aprender com a BE
LEITURAS NA BIBLIOTECA
A literatura acompanhou desde o princípio do século do século XX os movimentos de vanguarda. Mas foi principalmente a partir da I Guerra Mundial que se verificou a grande renovação da poesia e especialmente do romance. Foi neste pressuposto que a professora de História Paula Costa, e a professora bibliotecária Fernanda Silva planificaram uma unidade didática de 9º ano, subordinada ao tema "A literatura nos anos 20".
Os alunos pesquisaram informação acerca de autores da época e participaram em leituras orientadas, estabelecendo elos entre Fitzgerald, Hemingway e Steinbeck , numa procura de novas formas de expressão, reflexo das profundas inquietações que então se viviam.
Memória de Baptista-Bastos
"Contarás
de Abril, aos meus filhos, que os meus olhos ardidos, urbanos, ficaram cheios
de um ofício de um ofício de dizer coisas singelas, humildes: como amor,
liberdade. Contarás de Abril os idos e os que voltaram, os que ficaram e ficam.
Contarás de Abril pequenas pilhas de palavras,armazenadas numa necessidade que
inventei; e as nossas almas ledas e limpas: e os braços que se estendem a outros
abraços; e a cordialidade de anotarmos um nome, um número, umaflor: e os
balaios sem reticências de mágoas, cheios de trissos de aves, de pássaros
remotos de que ignorávamos a voz ou havíamos esquecido o toque e a fímbria.
Contarás
de Abril que na nossa terra já não apodrecem as raízes e que já não adiamos o
coração; que já não nos dói a velhice e que os rios são todos nossos e íntimos e
que já não perdemos a infância e que nas-cem crianças insubmissas e claras e
livres. Contarás de Abril a espessura mágica, o punho reflexo, o dia de água, a
lágrima, a vontade de sermos e de estarmos, o lipido grito, a forma inconsútil,
o vermelhor e a brisa, o livro das coisas, a maravilha discreta de assear a
vida, o caminhar, os restos nesta dócil pausa e neste imenso perdão.
Contarás
de Abril as casas de milsóis, a imponderável descoberta dos sussurros, a
brancura inadiável da perseverança, o resplandecente varar dos dias, a feira
alvoroçada das horas. Contarás de Abril as mãos dadas.Contarás de Abril o
renascer da essencial frescura.
Baptista-
Bastos, 25 de Abril - Uma aventura literária
(No
nascimento de um escritor que nos falou da palavra e a construiu com emoção, entre a ambição do sonho e o cansaço dos dias, sempre
na possibilidade de novos encontros).
Memória de Ruy Belo
Na
minha juventude antes de ter saído
de
casa de meus pais disposto a viajar
eu
conhecia já o rebentar do mar
das
páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava
o mês de maio era tudo florido
o
rolo das manhãs punha-se a circular
e
era só ouvir o sonhador falar
da
vida como se ela houvesse acontecido.
E
tudo se passava numa outra vida
e
havia para as coisas sempre uma saída
Quando
foi isso? Eu próprio não o sei dizer.
Só
sei que tinha o poder duma criança
entre
as coisas e mim havia vizinhança
e
tudo era possível era só querer.
Ruy
Belo, in Homem de Plavra[s]
Imagem,
in corpodepoema.blogspot.com
(Nos
oitenta e cinco anos do nascimento de um poeta importante do século XX, que nos
seus breves dias nos trouxe a alegria das manhãs, como imagens do que soube
conhecer.)
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
DIA DA INTERNET SEGURA
No âmbito das celebrações do Dia da Internet mais Segura, iniciativa Europeia que se comemora em Portugal e se alarga a todo o mês de fevereiro, a nossa escola assinalou a data com a deslocação de uma turma ao ISEP.
Os alunos foram convidados a fazer uma atividade: Hands On – Configuração de uma rede, com a duração de 2horas.
Publicamos a documentação que serviu de apoio à atividade realizada e agradecemos ao Professor Jorge Leite a sua colaboração com a nossa escola.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
O livro e o leitor (I)
Um leitor por
dia - celebrar os momentos íntimos da leitura!
Rembrandt
pintou durante toda a sua vida quadros ligados à velhice, pois interessou-se
pelos traços de fragilidade ligados à última fase da vida.
No quadro vemos o
corpo coberto com um material sumptuoso e apenas descortinamos a mão e o rosto
enrugado. O livro (O velho testamento) parece emitir uma luz própria, enquanto
a senhora idosa com a mão espalmada em página aberta lê atentamente o texto.
É
um quadro sobre uma leitura com mais dificuldade pela idade, mas também revela atenção,
um cuidado entre a leitora e a obra.
Embora o Renascimento tenha recuperado os
valores da Antiguidade Clássica, neste domínio da velhice o quadro de Rembrandt
recupera uma dignidade da velhice e dá ao texto uma autoridade que supera esse
património.
Há no quadro uma autoridade que vem da leitura e um isolamento do
mundo que lhe confere substância e liberdade.
A Profetisa Ana
(Mãe de Rembrandt), 1631, Rijksmuseum,
Amesterdão
Uma obra de arte por semana (I)
Uma obra de arte por dia - Interpretar o real, reconstruir o mundo!
As estátuas são formas humanas onde fazemos repousar um sentido de
perfeição, uma pureza de linhas capaz de guardar no tempo os nossos ideias de
beleza, a revelação de emoções que queremos exprimir em dias mais sucessivos
que a vida que nos é dada viver.
Ter sido é a referência da posteridade, essa
incapacidade de admirar o exposto sem se saber realmente como se foi, o quanto
se foi. Mas isso pouco importa para os admiradores do futuro, os que vierem de
séculos por nascer.
Por agora vive numa eternidade, este nu brilhante desenhado
na pedra como uma carícia continuada de mãos e pó deslizando em formas
construídas. A estátua é um momento de solidão, o contorno das emoções
desenhadas na pedra, a perfeição de um sentido vivo, imaginado, pensado.
A
estátua oferece-se à eternidade como a plenitude de um momento sagrado, quando
a beleza apenas existia. Quando a vida se aproximava só, ainda sem tentações de
tempo. A estátua tem múltiplas vidas, desde que se vai formando pela mão do
escultor que compreende o seu material, o formaliza em conceitos de substância
até que ela própria ilumina o real e a vida dos que a contemplam.
A estátua
estará exposta ao ruído do mundo, às tentativas devoradoras do tempo e como a
vida de qualquer humano sofrerá adoração, admiração ou indiferença.
Estátua de
David (1504) – Miguel Ângelo, Galleria dell’Accademia, Florença.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Dos livros
Antes de publicarmos semanalmente alguns tópicos sobre o livro e a
leitura, dois pequenos textos sobre o fundamento deste espaço, os Livros e essa
ideia de refúgio do mundo, a Biblioteca.
O livro é um dos objetos raros criados pela civilização humana. Por ele se construíram caminhos,
fronteiras que fundaram novas realidades. O livro alimenta a imaginação, cria a
fantasia e concede-nos a possibilidade de alimentar novos territórios para uma
esperança, feita de mundos alternativos ao que é conhecido.
O
livro constrói no universo das ideias, um realismo superior à realidade, pois
dá-nos as fronteiras ilimitadas da leitura. Embora muitos dispensem esta
chave de abrir tesouros e vidas infindáveis ela, a leitura é um imenso privilégio. É-o,
pois significa que superámos as mais baixas condições da utilidade dos dias,
que já não vivemos num quotidiano de carências, de sobrevivência e de
medo. A leitura permite ter acesso a um espaço de recolhimento, para desfrutar
momentos de lazer e de conhecimento.
O que faz a grandeza do livro é a sua essência, isto é, não a
leitura em si, mas a criação das imagens que ela suscita. Podemos dizer que a
leitura vale pela sua literacia. O livro é o único suporte de leitura que se
basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao
contrário da televisão, ou do cinema.
O livro chama-nos, carece do nosso
entusiasmo. Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de
imagens, “o levantar a cabeça”, imaginado essas imagens que a leitura trouxe. A
leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo
individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio
e concede-nos um processo de contra-movimento contra a cidade, o grupo, o
barulho, o movimento, os outros, libertando-nos do tempo.
Os livros são assim os elementos de um ritual de silêncio e
descoberta, os instrumentos para a construção dum paraíso, essa divindade, de
que tanto carecemos, justamente as Bibliotecas. Com elas e neles vivemos
momentos, como respiração de recolhimento e reflexão. É dos livros e do seu
silêncio ordenado que recebemos essa energia que nos permite descobrir em
poucos anos universos inteiros. É pelos livros, pelas suas palavras, que damos
peso, estrutura ao que somos.
É na respiração das palavras que anunciamos as
formas como que vemos o mundo, e somos muito, “aquilo que as palavras ouvem”
(António Manuel Pina) e é por isso que eles são a mais bela forma de registar o
mundo e as suas cores.
Publicada por
mundodeleiturasleiturasdomundo
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
| Reacções: |
Um poema por semana (I)
Um poema
por dia - a imaginação para iluminar ou compreender o real!
Nome comum: Jasmim-dos-Poetas
Percorria ao anoitecer os jardins
Percorria ao anoitecer os jardins
da cidade à procura das flores
oficiais - sobem amparadas
e perfumam com a memória
do chá as ruas irregulares.
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-me frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos.
O primeiro poema encontrei-o
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola da roupa.
Curso intensivo de jardinagem / Margarida Ferra. Lisboa: & ETC. 2010.
oficiais - sobem amparadas
e perfumam com a memória
do chá as ruas irregulares.
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-me frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos.
O primeiro poema encontrei-o
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola da roupa.
Curso intensivo de jardinagem / Margarida Ferra. Lisboa: & ETC. 2010.
Reinventar os dias...
Goethe, grande vulto das letras e da cultura alemã, que viveu entre o século XVIII e XIX e que foi uma figura muito importante do movimento romântico deixou-nos várias obras que ainda hoje podemos admirar.
Dele podemos ouvir a seguinte ideia: "Todos nós devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas."
Como Biblioteca o que vamos aqui deixar durante os próximos meses é a evocação de um poema, de uma leitora ou leitor e de uma obra de arte. A ideia é divulgar aspetos da cultura e da memória e realizar uma difusão de informação sobre questões que nos podem ajudar a formar uma visão do mundo. Ou tão só a reconhecer os elementos que formam aquilo que se chamou a modernidade.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Os Caretos de Podence - uma memória da História
O
Carnaval é uma das tradições populares que mais ligações desfruta com o passado
histórico. O Carnaval em Portugal já foi conhecido como Entrudo, a entrada para
quarenta dias de jejum de preparação para a Páscoa. Muitas das tradições que
comemoramos têm uma raiz histórica.
Em
alguns dos casos o tempo introduziu algumas alterações adaptando-se a novas
formas da sociedade. Outras permaneceram com um imaginário revelador de todo o
simbolismo que o viu nascer. O Carnaval é em larga medida a comemoração do fim
da longa noite do Inverno e a comemoração da Primavera que se avizinha. Nele se
podem observar os cultos de fertilidade da Natureza e a sua datação em alguns
casos perdem-se no tempo. Esse é o caso da aldeia de Podence, no concelho de
Macedo de Cavaleiros, os conhecidos caretos que no Carnaval chocalham as moças, são uma das mais
genuínas manifestações populares portuguesas.
Os
caretos de Podence têm uma raiz na cultura céltica, povo que habitou a
Península Ibérica no período pré-romano. Relaciona-se com outras culturas como
a existência dos povos Galaicos (Gallaeci) e Brácaros (Bracari) na Galiza e no
norte de Portugal. Existem igualmente fontes históricas que relacionam as
máscaras de Podence a festividades romanas, onde existiam desfiles nas ruas,
onde homens seminus vestidos com peles de animais participavam em manifestações
simbólicas ligadas à fertilidade.
Os
caretos são rapazes solteiros na tradição atual e que se apresentam como
figuras fantásticas imbuídas de valores lúdicos e pagãos e a sua aparição por
dois curtos dias representa o surgimento de forças ocultas e sobrenaturais que
depois são purificadas na fogueira final. Os caretos vestem-se de forma muito
colorida, com material feito em lã ou linho, vindo de peças familiares e
trazem chocalhos à cintura com que afugentam os elementos femininos. Levam na
mão um pau de freixo ou de castanheiro que serve de apoio quando correm.
O seu nome
"caretos" vem da palavra "máscara" tendo o seu aspeto uma
representação um pouco terrífica. São máscaras de latão que são pintadas de
vermelho ou negro e que têm um nariz pontiagudo e com as aberturas para olhos e
boca.
O seu aspeto é muito ameaçador, como "um diabo à solta". Os caretos de Podence revelam-nos as tradições rurais mais ancestrais de comunidades agrícolas que celebravam estes ritos no sentido de purificar os campos e aguardar a produção das terras que viria com a Primavera. Todo o ritual é uma tentativa de expurgar o mal de comunidades que viviam em dependência com a Natureza. É um Carnaval ainda autêntico com a memória histórica.
O seu aspeto é muito ameaçador, como "um diabo à solta". Os caretos de Podence revelam-nos as tradições rurais mais ancestrais de comunidades agrícolas que celebravam estes ritos no sentido de purificar os campos e aguardar a produção das terras que viria com a Primavera. Todo o ritual é uma tentativa de expurgar o mal de comunidades que viviam em dependência com a Natureza. É um Carnaval ainda autêntico com a memória histórica.
Conhecem-se
manifestações semelhantes em outros locais de Trás-os-Montes, como Vimioso, em
algumas aldeias dos concelhos de Vinhais, Bragança e mesmo no Alto Douro, como
em Lazarim, no concelho de Lamego.
Em tom de Carnaval
As máscaras são quase
tão antigas como o próprio homem. A palavra na sua origem latina, significa
persona. As máscaras sempre tiveram uma simbologia que as ligava a um mundo
invisível, que os homens tinham dificuldade em compreender.
Pensa-se que as mais
antigas máscaras terão sido feitas cerca de 30.000 antes do nascimento de Jesus
Cristo. Nas civilizações do Mundo Antigo, como os Egípcios a tradição de
colocar uma máscara na pessoa que morria, pensava-se que ajudava à sua passagem
para o outro mundo.
Os Gregos também as
utilizavam não só para as suas cerimónias religiosas, como para as
representações teatrais. Pensa-se que a palavra Carnaval venha das Dionísias
Gregas, manifestações que se realizavam entre o século VII e VI antes da nossa
era. Na civilização romana o uso de máscaras era comum em diferentes situações,
inclusive em cerimónias coletivas.
Atualmente uma das manifestações mais antigas
e belas do Carnaval é o de Veneza. Figuras como Arlequim ou Pierrot e Colombina
inspiram as manifestações do Carnaval, em diferentes anos. Data do século XV o primeiro baile
de máscaras, onde os figurantes escondendo a sua origem podiam expor os seus
sentimentos, numa altura em que o controle político era evidente para alguns grupos
sociais. Hoje é uma forma de representar a memória do tempo de uma forma
colorida e simbólica.
Imagens - Copyright: Carnaval de Veneza
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
No âmbito das atividades do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO), a higienista oral do ACES Porto Ocidental- URAP pólo de Miguel Bombarda, Dra Alexandra Queirós, realizou 4 sessões de educação para a saúde, sobre o tema Saúde Oral, Prevenção, que abrangeu 4 turmas de 5º ano e 4 turmas de 8º ano.
A participação foi bastante positiva e a Escola agradece à Dra Alexandra Queirós a sua colaboração na dinamização da atividade.
A participação foi bastante positiva e a Escola agradece à Dra Alexandra Queirós a sua colaboração na dinamização da atividade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









